Voltando a ser criança

Eu recebi um e-mail esses dias que me chamou muito a atenção, decidi escrever sobre isso, sobre os velhinhos do nosso mundo, sobre as pessoas que quando mais velhas voltam a ser criança, precisam de ajuda, precisam de atenção especial, de carinho, pois um dia eles nos deram tudo isso. O e-mail realmente me comoveu, e gostaria de compartilhar um pensamento sobre isso com vocês.

Os velhos não servem pra nada. São um peso para a família!” “Não tenho paciência com a minha avó!” Esse tipo de frase é bem comum diante dos jovens entre 13 e 15 anos, ou até mesmo dos 20 pra cima. Dignidade, Respeito, Sabedoria, Solidariedade ficam meio esquecidos diante da meia idade presente na vida dos jovens.
O tempo passa, e passa muito rápido, e com isso as pessoas vão envelhecendo. No decorrer desse tempo, os filhos e netos vão crescendo, e todo o conhecimento que o Vô ou Vó dessa criança tem, vai perdendo seu valor, não falo sobre o conhecimento de matérias escolares, ou algo assim, mas das histórias que eles têm pra contar, e que quase nenhum de seus filhos ou netos tem paciência de escutar, ou até mesmo apenas sentar para fazer companhia em um momento de solidão.
Está parecendo meio cruel tudo isso, mas é a mais pura realidade, o valor desses velhinhos está em antes de seus filhos e netos nascerem, está quando ela (Sua Vó)  ficou feliz em ter com uma criança dentro do ventre de sua filha e o recebeu com maior alegria, sem nem ao menos saber como ele ou ela seria. O valor dele ( Seu Avô)  está em quando você teve sua primeira chateação, e lá estava ele de braços abertos para te abraçar e ouvi-la chorar, dando o aconchego que hoje é capaz que não o receba em troca.
O respeito pelos idosos está diminuindo, quase desaparecendo conforme o pensamento das pessoas vai se paralisando na juventude.
Aqui poderia ser dito de qualquer outro tipo de preconceito, racismo, xenofobia, homofobia, mas esses preconceitos estão estampados na cara das pessoas, e estampados nas abordagens de novelas e miniséries da Globo.
E os velhinhos? Aqueles do qual muitas vezes não conseguem pegar ônibus porque o motorista tem “pressa”? Aqueles do qual não tem o lugar que é seu de acordo com a própria lei? Aqueles do qual um dia você será e sofrerá todas essas impaciêcias ou até pior se as coisas continuarem como estão?
Para todas essas perguntas se obtem sim uma resposta, a que você deve estar pensando agora…
Mas há uma em que todos observam, eles estão lá, não desistem de passar no médico, mesmo com tanta falta de respeito, não exitam em pegar ônibus, pois todos os cidadãos tem esse direito, não deixam de andar nas ruas, pois ela é pública, não param de falar apenas porque tem gente que não quer escutar.
Isso pode parecer irritante pra você, mas lembre de que também já foi assim… Não consegue se lembrar? Pois é, quando você era crinaça, você queria ir aos lugares, queria colo, queria atenção, queria carinho, essa chateação que hoje muitos acham que os senhores nos trazem, vocês já trouxeram e de maneira bem mais escandalosa.

A questão principal desse post é o do porque de tanta impaciência com quem já teve tanta paciência com a gente?
Não vai te custar nada levar algumas sacolas pra sua avó na volta do supermercado, ou sentar e ouvir o que ela tem a dizer do seu dia. Eles o amaram incondicionalmente quando você não sabia caminhar direito, os protegeram do frio, da chuva, das tristezas até onde eles puderam, então porque não retribuir? Você está com falta de tempo? Use outra desculpa pra amparar quem tanto te quis bem.

Pode parecer irônico o titulo, mas eles voltaram sim a ser criança, quando começaram a precisar de cuidados como antes.

~ por tsuhaisu em novembro 22, 2010.

6 Respostas to “Voltando a ser criança”

  1. Concordo com tudo o que disse Tata. Quero compartilhar uma experiência também. Uma das minhas disciplinas é a visita domiciliar, na maioria das residências que visitamos os residentes são idosos. O total abandono é eviendente em alguns casos e em outros casos é mascarada. Por exemplo uma senhora idosa possui 10 filhos, mas nenhum desses DEZ filhos cuida da mãe. Absurdo! Outro caso é de um senhor dependente de cadeira de rodas que fica o dia inteiro na frente da televisão com dois copos de água ao lado dele.
    Não posso deixar de mostrar minha indignação. Pense bem como você se sentiria se estivesse sozinh@ isolado, sabendo que existem pessoas que você ajudou e que hoje diz que você “enche o saco”?
    Parabéns pelo conteúdo, muito rico Tata!

  2. de fato, este eh mais um preconceito implicito na sociedade brasileira. de fato, essa eh mais uma mudança necessaria na sociedade brasileira.
    naum recebi o e-mail q te comoveu, mas o teu post tbm me comoveu, me fez relembrar algumas coisas…
    enfim minha cara, trabalhemos para q a realidade seja menos cruel. Como diz o Humberto, do engenheiros do havai, um dia seremos a maioria…

  3. Existia uma tribo indígena norte-americana na qual o recém nascido ficava automaticamente ligado a algum ancião da aldeia, do qual tinha que cuidar assim que ficasse mais velho. Cuidavam de seus velhinhos pois eram as pessoas mais importantes da aldeia. Os velhos detém o conhecimento de gerações, são os mais sábios em qualquer sociedade.

    Mas hoje, não queremos saber do rico conhecimento dos nossos avós, nós queremos conhecimento para ficarmos ricos.

  4. Muitu bom esse seu post Tsu…
    eu ñ tenhu vô nem vó mais gosto muitu di converssar cum us velinhus q eu xamu d ‘pais’rsrsrsrs…
    tem um puta conhecimentu i uma puta paciencia pq cuidar dus filhos ñ é tarefa faciul ñ hein..!!

  5. Nossa, realmente é verdade, os idosos estão perdendo o respeito e os direitos deles na sociedade, e o pior não é isso, muitas vezes eles não são tratados como humanos. Como filhos que abandonam o pai no asilo, e nem ao menos se deu ao trabalho de analisar o local e o tratamento que ele irá receber no local… Triste! talvez tudo isso se dê pelo avanço do modelo capitalista, mais ainda acima disso vem o homem e o seu poder de vedar-se da realidade, e fugir dela……. e se continuar assim a situação tende a piorrar mesmo….

  6. eu lembrei de algumas obras de arte que mostram várias facetas da infância, não apenas aquela cheia de pirulitos e brinquedos de plástico.

    http://euaraujo.wordpress.com/2010/09/06/alice/ mostra uma criança que se perdeu na multidão anônima da metrópole de Lisboa

    http://euaraujo.wordpress.com/2010/11/22/voor-een-verloren-soldaat/ aborda de maneira muito original a pedofilia, além dos ritos de passagens da criança p/ a adolescência

    e os últimos dois discutem sobre os menores abandonados, um filme mostra Portugal, e outro livro é narrado na Bahia. apesar de ser um tema recorrente, penso que não está resolvido e a discussão é um bom caminho p/ melhorar esse cenário
    http://euaraujo.wordpress.com/2010/10/31/criancas-mutantes/
    http://euaraujo.wordpress.com/2010/11/13/capitaes-da-areia-jorge-amado/

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